(nem) sempre alcança.
Estamos combinados?
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
sábado, 15 de janeiro de 2011
Nada é por acaso
Obs. 1: Título ruim.
Obs. 2: Menosprezo pelo produto próprio é necessidade de elogio? Creio que sim.
Obs. 3: Por isso não falo, escrevo. O erro, assim como o perdão que é assinado embaixo, podem perdurar, eu não. "Um passo para a eternidade". Perdão pelo subtítulo, também, ruim!
***
"Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas"
Antoine de Saint-Exupéry
Boca santa, bendita seja!
***
Acho que cativei alguém, que me cativou também. Sorte a nossa!
Mas às vezes a gente se descativa, pra depois mais cativar, bem fundo no coração, novamente.
E nesse cativa-descativa-cativa, a vida vai passando, passando... até que o cativo se torne
caverna
cavado
escavado
cavucado
casado
***
Obs. 4: Mudo, tardiamente, o título deste texto para: "Tapa de amor não dói ou da Adélia Prado cativa em mim.
***
Casamento
Adélia Prado
Há mulheres que dizem:
Meu marido, se quiser pescar, pesque,
mas que limpe os peixes.
Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,
ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.
É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,
de vez em quando os cotovelos se esbarram,
ele fala coisas como "este foi difícil"
"prateou no ar dando rabanadas"
e faz o gesto com a mão.
O silêncio de quando nos vimos a primeira vez
atravessa a cozinha como um rio profundo.
Por fim, os peixes na travessa,
vamos dormir.
Coisas prateadas espocam:
somos noivo e noiva.
***
Bonito, corajoso, sincero e muito, muito poético. Especialmente pelo fato de deixar de ser para ser no outro e, no outro, serem dois.
***
1+1= 2 (feito de dois, mais que só dois)
Obs. 2: Menosprezo pelo produto próprio é necessidade de elogio? Creio que sim.
Obs. 3: Por isso não falo, escrevo. O erro, assim como o perdão que é assinado embaixo, podem perdurar, eu não. "Um passo para a eternidade". Perdão pelo subtítulo, também, ruim!
***
"Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas"
Antoine de Saint-Exupéry
Boca santa, bendita seja!
***
Acho que cativei alguém, que me cativou também. Sorte a nossa!
Mas às vezes a gente se descativa, pra depois mais cativar, bem fundo no coração, novamente.
E nesse cativa-descativa-cativa, a vida vai passando, passando... até que o cativo se torne
caverna
cavado
escavado
cavucado
casado
***
Obs. 4: Mudo, tardiamente, o título deste texto para: "Tapa de amor não dói ou da Adélia Prado cativa em mim.
***
Casamento
Adélia Prado
Há mulheres que dizem:
Meu marido, se quiser pescar, pesque,
mas que limpe os peixes.
Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,
ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.
É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,
de vez em quando os cotovelos se esbarram,
ele fala coisas como "este foi difícil"
"prateou no ar dando rabanadas"
e faz o gesto com a mão.
O silêncio de quando nos vimos a primeira vez
atravessa a cozinha como um rio profundo.
Por fim, os peixes na travessa,
vamos dormir.
Coisas prateadas espocam:
somos noivo e noiva.
***
Bonito, corajoso, sincero e muito, muito poético. Especialmente pelo fato de deixar de ser para ser no outro e, no outro, serem dois.
***
1+1= 2 (feito de dois, mais que só dois)
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
Hasta siempre ou aquilo que passou pelos olhos dos viajantes
Passou o Natal e Papai Noel não veio. Ele, na verdade, colocou os dois no saco de presentes e os despachou em um avião para Cuba. Disse: "Desta vez, o presente vem até vocês e vocês, também, vão até o presente". Aí eles ficaram sem saber se era presente de grego. Nada! Era presente de vida!
Em Havana charutearam por ruelas mais antigas que o socialismo, mas tão vivas quanto o marejar da bandeira ao vento; reconheceram, nas mãos erguidas em rifle dos velhinhos, o sangue descrito nas reportagens poucas do Granma e do Trabajadores; vibraram em ruas labirínticas, povoadas de pessoas bonitas e feias, tão misturadas, tão brasileiras, mas que refletiam uma estrela no fundo dos olhos; deixaram-se embriagar pelas cores, pelos múltiplos vermelhos, dourados e amarelos que enfeitam, à la barroca, os penteados, as roupas, La Havana.
Ainda em Havana, cheiraram uma igualdade profundamente desigual, beberam (mas tiveram que engolir a seco) os dentes de ouro que ofereciam sua simpatia em troca de CUCs e, finalmente, engasgaram-se ao comprar 3 LIVROS por 70 centavos!
Passaram por estradas bem cuidadas, se deixaram levar pelo mais azul dos mares e, lembrando-se dos entes queridos, distantes e legítimos parentes havanos, desfrutaram da cuba libre e da piña colada, à beira da piscina. Entre um mergulho e outro, deleitaram-se com os papos extremamente inteligentes de maleteiros, ex-professores e hasta siempre amantes de Fidel. Mas ouviram os dois lados: o dos amantes e o dos odiantes.
Conheceram e se apaixonaram pela história de Camilo Cienfuegos, e, claro, hasta siempre... "Mi comandante Che Guevara".
http://www.youtube.com/watch?v=po09lcDxXIA&feature=fvsr
Viram escolas em que as professoras deixam crianças de castigo, limpando a sala, porque estava claro - o olhar ALEGRE das crianças denunciava - que a justiça estava sendo feita. Mamãe e papai, certamente, não estarão lá no dia seguinte, com o dedo em RIFLE apontado à professora, ameaçando seu emprego e sua dignidade.
***
Eles viram casas tortas, charutos na boca, roupas coloridas, paraísos na terra e uma ideologia que transpôs os muros e as bandeiras e foi parar na boca do povo. Prometeram que voltarão lá, um dia, para comemorar os 10, ou os 20 anos de algo muito bom... Que durará - isto confessou-me Papai Noel, num castelhano meio polonês, meio esquisito, mas que eu compreendi muito bem - hasta siempre.
Em Havana charutearam por ruelas mais antigas que o socialismo, mas tão vivas quanto o marejar da bandeira ao vento; reconheceram, nas mãos erguidas em rifle dos velhinhos, o sangue descrito nas reportagens poucas do Granma e do Trabajadores; vibraram em ruas labirínticas, povoadas de pessoas bonitas e feias, tão misturadas, tão brasileiras, mas que refletiam uma estrela no fundo dos olhos; deixaram-se embriagar pelas cores, pelos múltiplos vermelhos, dourados e amarelos que enfeitam, à la barroca, os penteados, as roupas, La Havana.
Ainda em Havana, cheiraram uma igualdade profundamente desigual, beberam (mas tiveram que engolir a seco) os dentes de ouro que ofereciam sua simpatia em troca de CUCs e, finalmente, engasgaram-se ao comprar 3 LIVROS por 70 centavos!
Passaram por estradas bem cuidadas, se deixaram levar pelo mais azul dos mares e, lembrando-se dos entes queridos, distantes e legítimos parentes havanos, desfrutaram da cuba libre e da piña colada, à beira da piscina. Entre um mergulho e outro, deleitaram-se com os papos extremamente inteligentes de maleteiros, ex-professores e hasta siempre amantes de Fidel. Mas ouviram os dois lados: o dos amantes e o dos odiantes.
Conheceram e se apaixonaram pela história de Camilo Cienfuegos, e, claro, hasta siempre... "Mi comandante Che Guevara".
http://www.youtube.com/watch?v=po09lcDxXIA&feature=fvsr
Viram escolas em que as professoras deixam crianças de castigo, limpando a sala, porque estava claro - o olhar ALEGRE das crianças denunciava - que a justiça estava sendo feita. Mamãe e papai, certamente, não estarão lá no dia seguinte, com o dedo em RIFLE apontado à professora, ameaçando seu emprego e sua dignidade.
***
Eles viram casas tortas, charutos na boca, roupas coloridas, paraísos na terra e uma ideologia que transpôs os muros e as bandeiras e foi parar na boca do povo. Prometeram que voltarão lá, um dia, para comemorar os 10, ou os 20 anos de algo muito bom... Que durará - isto confessou-me Papai Noel, num castelhano meio polonês, meio esquisito, mas que eu compreendi muito bem - hasta siempre.
sábado, 25 de dezembro de 2010
Sobre estar junto

Igualzinha a muitas, diferente de outras tantas, como tão somente eu mesma, sempre quis me casar. Tradicionalmente de noiva branca, com arroz, confete, serpentina e alegria transbordando.
Assim que nasci nós ficamos juntos, mas só nos encontramos algum tempo depois.
Namoramos, noivamos - e isso só os inteligentes puderam ver - e, enfim, nos casamos.
Estamos juntos há uma semana e um dia.
O casamento foi bem NOSSO: eu, tradicionalmente de noiva branca; ele, tradicionalmente de terno lindo, preto. Astromélias coloridas no buquê e na lapela. Chuva de arroz, confete, serpentina, alegria, alegria, alegria e amor. Muito amor.
O véu comprido carregou o tempo do conhecimento.
Os pulinhos simbolizaram a alegria do momento.
As palmas receberam a beleza do estar junto. Para todo o sempre. Perante de Deus no Céu e nos outros. Muitos e muitos outros, igreja lotada, festa radiante. "O melhor casamento que já fui" - ouvi por aí.
E hoje, felicitamos juntos o Natal, nosso primeiro.
Sobre as flores da igreja, sobre a festa animada, sobre dinks, acepipes e festejos, muitos reenlaces de memória hão de ser tecidos.
Mas estar junto, essas palavras não ditas, que se fazem pelas mãos, em impulso de coração... Essas não. Essas eu não conto, e nem ele. Essas acordam conosco e conosco dormem no abraço. No te amo nosso de cada dia.
Assinado: senhora M.
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