sábado, 23 de janeiro de 2010

Mãe é mãe

Sabe aquilo que se dizia para o guarda Abel da novela da Índia? "Beba, beba, beba, beba, beba, beba!"...? Teve gente aqui em casa ontem que baixou a Norminha e ficou praticando o "beba, beba". A encorporada, no caso, foi a minha mãe, que ontem estava com a macaca! Tão emacacada que até profetizou umas coisas aí, que não convém que eu diga por aqui, claro. Mas que ela está merecendo uma homenagem... verdade seja dita!
Tudo porque eu estava lá, deitadona, 3 horas da tarde das férias, largada na bagunça do meu quarto, com cara de enterro. Daí ela veio, começou a falar coisas que estavam na minha cabeça (morri de medo!), mas com um olhar que eu, na minha soberba ignorância, jamais teria pensado.

Mãe é mãe. Quero ser como ela um dia. Passar do luxo ao lixo num passe de mágica, com a mesma mágica que ela usa pra ler pensamentos. E depois de profetizar, HALLELUIA! Eu fiquei um pouquinho mais parecida com ela.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Em primeira pessoa

Aqui, no nosso Haiti, morros desmoronam, vidas escorrem por água abaixo.
Por aqui, reclamamos do governo, do calor, do trabalho, da vida.
Mas só nos lembramos de que o Haiti
é aqui
quando vemos que, de fato,
ele não é aqui.
O espelho vizinho reflete nossos pequenos deslizes.
E na tormenta alheia vemos
que temos que rezar pelo Haiti.
Mas se nem mesmo pelo nosso Haiti rezamos
se preferimos esperar pela quarta-feira de Cinzas
se as águas de março deixam
promessas de vida no coração
por que não esperar
O terremoto passar?
A chuva cair?
A favela descer?
O bloco passar?

O Haiti é aqui.
O Haiti não é aqui.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Fluxo de pensamento

Hoje, conversando com uma amiga florzinha, pensei que nós somos uns trastes. Pelo menos. Porque chamar de paradoxais pessoas que vivem exigindo a perfeição, mas que adoram o imperfeito é, no mínimo, doido. E se achar certo, sendo doido, é ser traste. Compreendeu?
Acho mesmo é que se gosta do imperfeito pra ter do que se reclamar, pra buscar o que melhorar.
Uma vez conversei com um barbudinho que me disse que a gente espelha no outro os defeitos que não enxergamos em nós. Fez sentido por cinco minutos, mas essa frase-verdade de vez em quando volta, sabe? E incomoda.
Outro dia escrevi que gostei quando, no filme, a moça disse que as pessoas são como espelhos: vemos nelas aquilo que não gostaríamos de ser.
Tem espelho demais em minha volta. Estou com medo de, de tanto ser eu mesma, começar a me ver nos outros. E enjoar de mim nos outros. Ou enjoar os outros de mim. Melhor esfriar a cabeça.

Brilho eterno...



Nunca pensei que iria tirar tanto proveito das minhas férias mais ou menos.


Ontem, 7 da noite. Vamos fazer o quê? Baixar Lost? Não... demora muito. Ah, já sei: vamos pegar alguma coisa na locadora. Brilho eterno de uma mente sem lembranças.
(O meu senso de sanidade pensou já ter visto esse filme, mas NÃO, isso ainda NÃO tinha sido feito.)
O moço da locadora: "E aí, é a primeira vez ou vão assistir de novo?"
(Como assim???)
"Vocês não vão se arrepender. O filme é maneiro, mas tem que prestar atenção, se não vai parecer que ele é meio maluco, sem noção. Mas é muito bom."
(Então tá.)
***
Onde é que eu estava que ainda não tinha assistido? Brilho eterno é tão bom que eu nem me atrevo a tecer qualquer comentário sobre ele. Tenho medo de estragar sua beleza, sua complexidade, seu clima, sabe?
Caso você, querido/ querida, esteja cometendo o crime do qual, até ontem à noite, eu era bandida, não mais padeça desse mal. Por favor.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Rapidinha

"Sei que amores imperfeitos são as flores da estação"


Pensei no Skank agora, bem a calhar. Flores colhidas, compromisso selado. Sempre achei o pretérito imperfeito mais emocionante que o perfeito, sabe? Padeço desse mal, fazer o quê?