quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Chegaremos lá?



Ansiedade
É quando se acorda no meio da noite, se afogando em uma onda de pensamentos.
É dormir no engarrafamento, no meio da novela, em um canto qualquer.
Tudo isso esperando, ansiando, desejando, quase enlouquecendo.
Em um transe de querer saber, conhecer, ver, e mais muitos outros verbos de 2ª conjugação.

***

Desespero
É quando se anseia, se deseja, se quer. de-ses-pe-ra-da-men-te
Com tanta força, tanto empenho
Que, quando se tem, nem se deseja mais tanto assim.

***

Horizonte
É aquele lugar onde vivem, marido e mulher, desespero e ansiedade.
É lá onde eles ficam, de cima da pedra, com perfeita visão
Vislumbrando meus sonhos e desejos.
E, em meus sonhos, despertam meus desejos
De ansiar, desesperadamente, alcançá-lo um dia.

***

Tão ansiosa que já vejo um horizonte de desesperos.

Conversa Afiada

Engraçado como as pessoas são diferentes... E como elas se aceitam para aceitar os outros. Deixa eu explicar: tem alguém que eu amo muito que me pediu para postar isso:

http://">http://www.conversaafiada.com.br/politica/2010/08/26/dilma-abre-20-pontos-folha-descobre-que-serra-e-uma-fraude/

Eu achei muito interessante, mas ele achou o máximo!
Eu achei que não combina com este blog, mas ele acha que é preciso divulgação.
Então, queridos leitores, já que está me faltando inspiração por esses longos dias, fica a dica.
Para os que gostam de política, sarcasmo e PT, deliciem-se.

sábado, 24 de julho de 2010

Chovem amores na rua do matador


Festlip.
Está rolando um festival de teatro, música e gastronomia comuns aos países falantes da língua portuguesa. Pena que pouca gente sabe. Nós, por aqui, só ficamos sabendo na metade do caminho; pelo menos só tivemos a possibilidade de participar na metade do caminho. E aí, pra compensar, assistimos à peça que intitula este post, que é maravilhosa, porque foi escrita pelo Mia Couto e pelo Agualusa. (de minha opinião mais pela parte daquele do que deste, ok.)

É assim: um homem, de 49 anos (ou algo assim), decide voltar à cidade onde passara parte de sua vida, onde moram os seus três amores. Decide que é preciso matar o passado para viver o futuro (e até mesmo o presente). Decide, então, matar as três tais, suas três desgraças, esses seus três amores. Melhor: decide matar toda a cidade, cortando o mal pela raiz, e assim, (re)fazer-se.
Ele, porém, não é homem-macho para matá-las. Não é homem nem para ouvir de verdade, porque só ouve no sonho: "Não podemos matar-te a ti, pois há muito que já morreste dentro de nós".
E ele se morre. Não uma, nem duas, nem três. Quatro ou cinco vezes precisará fazer essa viagem. E, como as gotas da chuva, que teimam em derramar amores naquela rua deserta, na rua daquele Matador, forma-se o ciclo da água, até que a vida passe. E repasse. E se repasse. 

***

Fiquei pensando depois em como é estranho matar pessoas dentro de nós. Deixá-las lá, mortinhas da silva, com uma lápide de lembranças, convivendo com gramas fresquinhas, terras recém-descobertas. Nossa... fiquei assustada em rezar uma Ave-Maria pelas almas do meu purgatório, que às vezes nem mesmo na memória eu me lembro de ressuscitar.

Nota:

Não há nada melhor do que uma surpresa.
Ah, tem sim: é quando alguém CHEGA de surpresa.
E deixa o seu coração surpreendentemente cheio de alegrias e vontades. De esperança, de saudade de novo.

:)

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Cotidiano

O moço, após sair do escritório, encaminhou-se diretamente para casa. Como sempre o fazia. Excetuando-se as vezes em que passava pelo mercado e demorava-se na fila do caixa. Ao abrir a porta, deparou-se com a mulher, de avental e reclamações em punho, costumeiramente desagradável. Sua casa fedia a alho, sua vida era um ensopadinho sem graça, feito de músculos e legumes da xepa. A reclamação do dia era a falta de material para a janta. Fez o caminho de volta, de marcha-ré foi ao supermercado. Mas desta vez demorou-se mais na fila do caixa. A conversa por lá estava boa, excitante. Quarenta e dois reais, senhor. Crédito ou débito? Quer que ajude a ensacar? Boa noite, até a próxima. E um sorriso.
Exausto de tanto prazer, o moço deteve-se na porta do mercado. E lá se demorou, observando de longe a simpatia da moça do caixa, contrastando-a com o cheiro de alho que vinha da mulher.Então ele meteu a cabeça por dentro da sacola plástica, cheirou o alho que guardava lá dentro mais do que tempero para a janta: guardava a sensação do matrimônio, o cheiro de sua mulher. E percebeu, enfim, no que havia se transformado o cheiro fresquinho de lavanda da adolescência. E viu que era ELE o comprador do alho.
De súbito ele voltou ao mercado, comprou lavanda, xampu, perfume, pasta de dente. Comprou queijo bola, salame, uma garrafa de vinho. Mas deteve-se, novamente, na fila do caixa. Esqueceu de levar alguns itens, senhor? Pois é. Sabe dizer se esse xampu é bom? E essa lavanda, cheirosa o suficiente? São, sim, senhor. São pra minha mulher. Hum, moça de sorte. (sorrisos). Ele foi para casa, transformar o alho em perfume. Ela tirou o avental e foi para sua casa, onde morava com seus dois filhos. E um homem, pai da menininha que carregava já no 7º mês. E já foi cansada, porque, depois de muitos sorrisos, ainda tinha um ensopadinho para preparar.