sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Questão pouco clara, quase piada interna, meio barroca, meio freak, meio sem pé nem cabeça:

Será que algum dia vou deixar para minha posteridade particular o remorso de não ter se dado conta, em minha presença, de algo que não sei se mostro, mas desejo imensamente, diariamente, compulsivamente, mostrar?

Trough the window

Tem uma janela no quarto da menina que a faz ter um brilho inigualável no olhar. E o engraçado é que ela olha por todas as janelas da casa e nada vê além de cinzentas multidões. Mas tudo muda quando muda de janela. Em seu quarto, onde ela pode vestir seu vestido favorito, de flor, aí sim. Ela se debruça na janela e tudo vira uma extensão das flores. Olhos, ouvido, garganta, mãos, sentidos. Como uma onda gigante, devastadora ao reverso. Lindo de se ver. Mas só quem vê são os olhos do papel.

A janela, ninguém vê, só ela. Porque, se batem à porta, ela recolhe a cauda do vestido e esconde a janela embaixo do travesseiro. E só quem a conhece bem percebe que ela mirava pela janela.

(Quero ser como ela, um dia).

Quem acredita...

(nem) sempre alcança.



Estamos combinados?

sábado, 15 de janeiro de 2011

Propaganda

do meu amigo, Caio Di Palma.

Me fez lembrar dos bons momentos-paradoxo que vi em Cuba.


http://dalailamaaocaos.blogspot.com/2010/12/rum-baco-del-fuego.html?showComment=1295116860965_AIe9_BFxjoTZVvSuKX7vgytu_kyaXRD6IGdvSYycRVUKePG2DtKXYU3bBJbe-yiJE_PQDl48o75roL34sTwhOYjKn8olaLl25RZHEGspXXutFdoqegTsOkGwbvz6y6SoZe66xTufEa9DqErEY0TTB-BtTEf_WTZr9qXNfLHpeFNx5GnEZUzwWZBYnC_zg1AOfEpA9WTqQT0I_-PcOXDwdg6EFmadTKYfsOZiD178FcyDUodON4RSBlcfAeEOedDVPLRI5C6MY40bU_XBNPMnMI9ic-1IrqmcVV2LIkKT8EA0eXhoukhpEX1TXSN_M5VFFN1nxZlf0IfbPibtpWjod61-PDkGzEqRsD7XRFI-80dwFshMwKqjsPyg1ansYz3eSXkxdmdpCFG-Isxd3bxo-HSXGjz2lTSmqb1pKDdQJatpSIDXyTbYLpAJ2WHF2gqXB0x8Ki0FF9ZjsgelhEEmuP0FDBP5zar8aLPird8ft52FJq6mwOzH705QdWPHiVKRM6FLO6ngzvYJEUPGsAuaSZzzVOHWyrKga--kkrmjsuPaXm5K5K58vSP632A6IOAH5Vk3r3ZnzVGwYl9FZ1ZRJ_xXKOVr731g-Wkkr3hXhE-pnMWvUjDnjlK3_TnoHx2c8Sy-LUfA-Gm2RQHehyDmr3QVcKqcwTWvV2NOyAfUM_5lmHa5FjlWx45Gqdody87LGGfnuBWZUY2TNZa0umYttutaHTDJULQodfHa3cILa0w1vRqc0xBKfQCVomX2m_ilwbvEwS-pgZ6Lvr7JBBEXBy7EnQ8Fe0jogA#c497922653487894457

Nada é por acaso

Obs. 1: Título ruim.
Obs. 2: Menosprezo pelo produto próprio é necessidade de elogio? Creio que sim.
Obs. 3: Por isso não falo, escrevo. O erro, assim como o perdão que é assinado embaixo, podem perdurar, eu não. "Um passo para a eternidade". Perdão pelo subtítulo, também, ruim!

***

"Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas"
Antoine de Saint-Exupéry

Boca santa, bendita seja!

***

Acho que cativei alguém, que me cativou também. Sorte a nossa!
Mas às vezes a gente se descativa, pra depois mais cativar, bem fundo no coração, novamente.
E nesse cativa-descativa-cativa, a vida vai passando, passando... até que o cativo se torne

caverna
cavado
escavado
cavucado
casado

***

Obs. 4: Mudo, tardiamente, o título deste texto para: "Tapa de amor não dói ou da Adélia Prado cativa em mim.

***

Casamento
Adélia Prado

Há mulheres que dizem:
Meu marido, se quiser pescar, pesque,
mas que limpe os peixes.
Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,
ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.
É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,
de vez em quando os cotovelos se esbarram,
ele fala coisas como "este foi difícil"
"prateou no ar dando rabanadas"
e faz o gesto com a mão.

O silêncio de quando nos vimos a primeira vez
atravessa a cozinha como um rio profundo.
Por fim, os peixes na travessa,
vamos dormir.
Coisas prateadas espocam:
somos noivo e noiva.

***

Bonito, corajoso, sincero e muito, muito poético. Especialmente pelo fato de deixar de ser para ser no outro e, no outro, serem dois.

***

1+1= 2 (feito de dois, mais que só dois)