domingo, 6 de dezembro de 2009

movimentos (quase) diários

Todo dia ela faz tudo sempre igual me sacode às seis horas da manhã me sorri um sorriso pontual e me beija com a boca de hortelã.

Todo dia ela acorda sai pra trabalhar volta sai de novo volta se preocupa dorme.

Todo dia anoitece jornal novela, boa noite.

Todo dia amanhece.

Reamanhece.

E apesar de você querer, não querer, amanhã há de ser outro dia.

Olha lá o sol indo embora:

domingo, 22 de novembro de 2009

Contibuição do amigo Caio

"Sigo cigano cego e sempre
Eu mesmo leio a minha mão
Escrevo nela versos, ventos
O meu destino, meus lamentos
Estou marcado de paixão

Enquanto eu coço a cabeça, o mundo gira
Penso um pouco e sinto preguiça
Numa fusão de desejo, besteira e malícia
Me chegas trazendo teu olhar,
Teu tempero e meu suor
De cara fechada, um jeito largado, um corpo delgado
A mulher no peito, no meu peito a ensaboar

Olhos perdidos no vento,
Ela transpira o futuro
E no presente um buraco,
Esperando ela falar

O sonho circulava na boca,
Louco de tanto imaginar
E eu escutava o barulho das águas rodando
Na língua, nos dentes, depois escorriam pelos lábios incandescentes
E caiam na roupa os mais indecentes
Na cama teu tempero resvala
E adormece na lua crescente a me guiar
E assim segredo os clarões sem par,
Iluminando a noite num coração de homem a desfolhar

Ela parada num canto, assim diferente,
Com os dedos entrelaçados e os pequenitos pés cruzados,
Rege uma orquestra espremida,
Constrói constelações com sincero amor profundo e
Desenha em mim os sonhos de um laço divinal

Ah, como ela tinha segredos pra mudar o mundo
Fazer mil cicatrizes sararem bem fundo..." (Caio Di Palma)

17/ 12

Ele ficou ao seu lado por muito tempo. Eram crianças, brincavam de ser gente. Adultos, brincavam de ser crianças. Crianças que se despediam e voltavam a brincar, num ioiô de rodar a vida. Mas no dia da fatídica despedida, antes do pode beijar a noiva, prometeu voltar em dezembro. 17 de dezembro. Sem falta.
Ela vai ficar esperando, contando os dias em bem-me-quer, bem-me-quer. Porque de mal-querer já cansou e, à porta do cinema, com seu vestido branco de algodão, ela se deixa esvoaçar. Ela agora suspira poesia, que voa como fino pólem para além, no mar. E de lá, numa gota de óleo, negra como a veste, ele transpira o desejo da volta.
Até breve, meu amor.

No calor das horas, 21/ 11/ 2009.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Mea culpa

Estão dizendo por aí que o apagão foi culpa do Governo. das intempéries. da Madonna. de Jesus. do raio que o parta. Sei é que, final do ano chegando, ninguém mais se aguenta aceso. Minha tese é a seguinte: a culpa é da gente! Quem mandou esta raça que vos fala trabalhar loucamente, o ano todo? Se lamentar, com recalque até a alma, do calor, desejando pegar, com as férias, uma prainha às 10h de 3ª feira? Cheers, Don Ramón! Voto em você pra presidente da próxima vez!
Agora, boa noite, vou dormir. E sonhar, com a luz apagada espontaneamente (figuinhas!), que já é Natal e eu estou comendo rabanadas, muitas rabanadas!

terça-feira, 10 de novembro de 2009

As rosas não falam

Pensas que esboçarei flores? Tsts, nada disso. Tava demorando. O clima das flores foi embora. Mas, enfim, acabou. Viva! Figura recorrente nos próximos posts, se os céus não olharem por nós (ou não cairem sobre nós): o sol.

Sorte do dia: tá calor, too much! E as pessoas que eu tô seguindo estão falando do calor. Achei legal falar dele também.
Mas, pra não pagar diário, vou contar uma historinha. Sigam-me os bons.

Era uma vez uma florzinha [bah, brinks!]
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Não dá! Sinto fritos os meus miolos, ó pá! Minha imaginação não flui.
E a menina na Irlanda está reclamando? Como assim?? Acho que eu estou precisando ir abanar uns leprechauns! Porque a moda praia não se encaixa bem aos parâmetros britânicos de educação. Rezo ao deus sol, em minha dança da chuva diária, para que o final de semana logo chegue e eu possa colocar em prática os meus sonhos de uma noite de verão.*

*Ninguém no Brasil, queridos, tem sonhos de uma noite de verão. Coisa de inglês, óbvio. Aqui, no verão, ninguém sonha. Frita, bebe, dança, pega. Mas sonhar, com este calor... tsts.