Não impressiona que a efemeridade brutal com que alguns assuntos são abordados levem, cada vez, mais, à banalização da opinião pública.
A todos é dada, muito bonito isso, a liberdade de expressão e de opinião. O que incomoda é que, mais que a liberdade, o direito de pensar seja vetado a todos, por um acesso a informações manipuladas, capadas e tendenciosamente disfarçadas.
Queixar-me sobre um fato específico não valerá de nada (embora um deles, particularmente do meu universo, esteja latejando em mim). Acho que assim vai ter gente por aqui se tendenciando para o meu lado...
Não busco ser justa, menos ainda ser formadora de opinião, já que a minha flutua em mar aberto. Pretendo apenas tentar pegar a maré certa, ou, pelo menos, aquela que me conduzirá a um mar de calmaria, onde a praia resguarde pescadores conscientes, que saibam ouvir e contar, com respeito e humanidade, suas mentiras de pescador.
domingo, 10 de abril de 2011
Independência particular
Sou adepta de, quando em vez, sentar-me num banquinho de praça para observar a minha vida passante. Há muito que não o faço, já estava com saudade desse silencioso deleite.
Sonolenta do almoço de domingo, sentei e sonhei com os últimos instantes. Observei, com a atenção e a surpresa de um aprendiz, que muito mudou. Resolvi, então, separar as memórias em pedaços e deixá-las passar, ao som da fanfarra, no meu desfile particular, no meu 7 de setembro.
O desfile foi lindo. Não percebi, no antigamente, o que meus olhos vislumbraram. E estes meus olhos marejados, neste domingo de sol de outono, deixam escapar, lágrimas abaixo, a melancolia que sinto pelo que fui, mas também pelo que jamais poderia ter sido.
***
Meus queridos, meus nem tão queridos, meus livros, minhas estradas. Todos meus: ontem, hoje, pra sempre. Conquistados por mim, conquistaram-me. Mas são cativos, não lhes dou a carta branca para partir.
Sonolenta do almoço de domingo, sentei e sonhei com os últimos instantes. Observei, com a atenção e a surpresa de um aprendiz, que muito mudou. Resolvi, então, separar as memórias em pedaços e deixá-las passar, ao som da fanfarra, no meu desfile particular, no meu 7 de setembro.
O desfile foi lindo. Não percebi, no antigamente, o que meus olhos vislumbraram. E estes meus olhos marejados, neste domingo de sol de outono, deixam escapar, lágrimas abaixo, a melancolia que sinto pelo que fui, mas também pelo que jamais poderia ter sido.
***
Meus queridos, meus nem tão queridos, meus livros, minhas estradas. Todos meus: ontem, hoje, pra sempre. Conquistados por mim, conquistaram-me. Mas são cativos, não lhes dou a carta branca para partir.
sexta-feira, 18 de março de 2011
A casa é sua
Para um amigo querido de nós dois.
Partamos do seguinte princípio: você ama alguém e com essa pessoa decide dividir o resto dos seus dias. Reúne todos os seus amores, resolve tudo, direitinho, muito feliz, muito bom. Daí você para e pensa: o que está faltando agora?
Aí vem um distinto rapaz e te pergunta, com a cara mais cínica do mundo: Está faltando o quê? O cinismo do talzinho consiste no fato de que ele já vem com a resposta na ponta da língua e diz que ela deve unissoar assim: "Agora não falta mais nada."
Então, meu benzinho, eu te digo mais, porque a minha língua também anda bem afiada: falta sim, vai sempre faltar. Gente assim, como a gente, não se contenta com o regular. Tem o amor, falta o bom dia; tem a televisão, falta o sofá; tem a cama, falta a companhia; tem a casa... falta o amanhã.
No meu caso, os amanhãs vão se somando e crescendo em produção aritmética, esperando quem, no hoje, está fazendo (muita) falta. Por exemplo: agora me faz uma falta danada o momento em que ele e eu, abraçadinhos, vimos que faltava, na nossa vida, ter ouvido este Aranldo Antunes. Saudade do abraço, do momento... E lá vai o relógio pesando. Minha casa ficou pela metade, só se completa daqui a uns 15 dias... Aí fica cheia por um tempinho... mas continua faltando alguma coisa. O problema é que essa tal coisinha ausente eu não sei nomear. Sei é que ela grita lá de dentro de mim, e me faz querer mais, sempre mais, sem esgotar.
Em parte, seu abusado, você ajudou a me deixar assim, querente. A querer ouvir sempre boas palavras, excelentes reflexões, opiniões prudentes. Você também foi o responsável por abrir meus olhos pra conta maluca, em que 1 + 1 viram muito mais que só dois.
Te digo, então: sempre falta, por melhor que seja. Sei que pra você também é assim. E eu quero a sorte de desejar sempre, de querer sempre mais. O que se esgota perde a graça, se torna perfeito, redondinho. Eu quero mais é um caminho irregular, com paradas, retornos, faltas e compensações. Por isso é que (acho que descobri!) a única coisa que falta é fechar a porta. Mas isso eu não faço, nem que vente muito... Com a porta aberta o que falta pode entrar, o que sobra pode sair. Livre arbítreo, a casa é sua.
terça-feira, 15 de março de 2011
Ditos de mulher e homem
- Que fizeste de meu choro?
Sequei-o na guerra
Secou-me no leite
- Que fizeste da minha chaga?
Sarei-a no soldo dado
Sarei-a no pão cozido
- Que fizeste dos meus olhos?
Ceguei-os na tua carne
Ceguei-os no teu bastão
- Que fizeste dos meus filhos?
Dei-lhes a morte nas saias
Dei-lhes a morte nas armas
- Que fizeste às minhas mãos?
Cortei-as na minha fome
Cortei-as na tua fome
- Que fizeste às entranhas?
Tirei-te os filhos de mim
Tirei-te os filhos de nós
- Que fizeste dos meus ossos?
Esmaguei-os de peso morto
Parti-os para que os meus fossem
- Que fizeste da minha alma?
Dei-a de caçar aos outros
Dei-a de comer aos nossos
- Que fizeste do meu amor?
Enfeite que levo à roda
Cama de mal e vergonha
- Que fazes?
Espero morrer sabedora
Espero morrer sem ser morto.
Sequei-o na guerra
Secou-me no leite
- Que fizeste da minha chaga?
Sarei-a no soldo dado
Sarei-a no pão cozido
- Que fizeste dos meus olhos?
Ceguei-os na tua carne
Ceguei-os no teu bastão
- Que fizeste dos meus filhos?
Dei-lhes a morte nas saias
Dei-lhes a morte nas armas
- Que fizeste às minhas mãos?
Cortei-as na minha fome
Cortei-as na tua fome
- Que fizeste às entranhas?
Tirei-te os filhos de mim
Tirei-te os filhos de nós
- Que fizeste dos meus ossos?
Esmaguei-os de peso morto
Parti-os para que os meus fossem
- Que fizeste da minha alma?
Dei-a de caçar aos outros
Dei-a de comer aos nossos
- Que fizeste do meu amor?
Enfeite que levo à roda
Cama de mal e vergonha
- Que fazes?
Espero morrer sabedora
Espero morrer sem ser morto.
27/ 6/ 71
Novas cartas portuuesas
Maria Isabel Barreno
Maria Teresa Horta
Maria Velho da Costa
segunda-feira, 14 de março de 2011
Das consequências do ócio...
O blog tomou banho. Colocou sua roupa de frutinhas e está se achando todo bonitão.
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